domingo, 20 de dezembro de 2015

Panquecas de Weetabix (Saudável, Sem Açúcar/Gordura Adicionados, Sem Lactose)


Há pessoas que caem na rotina dos pequenos-almoços (ou lanches) e comem a mesma coisa vezes sem conta, seja ela pão com café, iogurte com fruta ou leite com cereais. Parte dessas pessoas está perfeitamente bem com a situação e outra parte desejaria variar mais. Caso alguém da segunda categoria me esteja a ler, tenho um ótimo conselho - criem uma página de facebook.
Falo por mim: desde que criei a minha e comecei a partilhar sugestões de refeições por lá que faço um enorme esforço para não me repetir. Daí surgiram todas as combinações de coberturas saudáveis para bolos (também saudáveis) que possam imaginar e mais algumas, diversas e imaginativas maneiras de dobrar e dispor crepes num prato e ainda um fenómeno a que gosto de chamar "compota de framboesa para o poder" (porque além de variados os pratos têm de ser coloridos).
Assim sendo, poderão imaginar o problema que representa uma aparentemente inocente caixa de weetabix com 36 barrinhas. Estes cereais à primeira vista não são muito versáteis; e depois de publicar iogurte com weetabix, leite com weetabix e papas de weetabix comecei a temer provocar o aborrecimento daqueles que constante e incansavelmente atualizam a minha página para se deleitarem a ver as novas publicações (hah). 
Desta forma, num conturbado período da história da minha conta na rede social, surgem as panquecas de weetabix. Incrivelmente fáceis de fazer, deliciosas e bastante diferentes de qualquer outra aplicação para os cereais: tudo o que uma pessoa quer numas simples panquecas.





Panquecas de Weetabix (Saudável, Sem Açúcar/Gordura Adicionados, Sem Lactose)
Para 4 panquecas 

Ingredientes:
[  1 ovo
[  2 claras (cerca de 50ml) (nunca experimentei, mas provavelmente podem usar mais um ovo em vez das claras)
[  2 'barras'/'bolachas' (unidades) de weetabix
Nota: As panquecas não são amargas e têm um sabor bastante agradável, mas se quiserem que fiquem doces podem adicionar mel, açúcar ou adoçante).

Preparação:
| Triturar todos os ingredientes (ovo, claras e barras de weetabix). Se a massa ficar demasiado espessa adicionar um pouco de líquido (leite ou água).
| Numa frigideira anti-aderente aquecida colocar porções da massa e virá-las com uma espátula quando estiverem cozinhadas de um lado (assim que der para virar sem a panqueca se colar ou desfazer).
| Deixar cozinhar um pouco mais e retirar para uma grade para arrefecer.




Além de serem as panquecas mais simples que já fiz (há outras que o são, mas em menor grau, já tentei várias vezes e nunca com 2 ingredientes resultaram tão bem - ou, diga-se, ficaram comestíveis sequer) são deliciosas. Ficam muito fofas, ligeiramente húmidas e altas, muito por culpa do poder de absorção do weetabix (acumulando a esta caraterística de forma incomum a vantagem de, vejam, não ser uma fralda). Não são muito doces, como aliás seria de esperar avaliando os ingredientes, mas o sabor é agradável como o dos cereais em si. Ficam deliciosas com toppings variados, desde iogurte ou fruta a (personal favourite) chocolate negro - derretido ou não, um quadrado por aquecer fica delicioso, lembra um croissant com este recheio. Há ainda a possibilidade de acrescentar elementos para dar outro sabor à massa: cacau, mel, especiarias, frutos secos, aquilo que mais vos agradar e que vejam como boa maneira de personalizar a receita a gosto. Se gostarem de panquecas mais finas e menos 'gorduchas', podem ainda juntar aos ingredientes líquido extra.
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Informação Nutricional (por 1 panqueca)
Energia: 56kcal
Proteínas: 4.2g
Hidratos de Carbono: 6.3g
-       Dos quais açúcares: 0.7g
Lípidos: 1.3g 
-          Dos quais hidrogenados: 0.0g
-     Dos quais saturados: 0.0g
Fibra: 0.9g
Sódio: 32mg

     A informação nutricional engloba uma porção (neste caso, corresponde a 35g, 1 panqueca ou 1/4 da receita). Está sujeita a erro humano e a alguma imprecisão, mas deverá apresentar valores próximos do valor real. 
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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Madalenas (Saudável, Sem Glúten/Lactose, Sem Açúcar Adicionado, Integral)


Costumava pensar que inventar receitas era muito complicado. Que as proporções de ingredientes teriam de ser bem compreendidas, que demasiados ovos facilmente transformariam um bolo numa omelete e que demasiada farinha resultaria numa broa.
Até alterar receitas era para mim complicado - e se a colher de chá de uma farinha diferente em meio quilo de outra tivesse um propósito especial? Ou o óleo tivesse um papel de enorme importância na consistência? E de certeza que aquela pitada de sal seria imprescindível, já que não estaria incluída na lista de ingredientes de outra maneira...
Em suma, demorei algum tempo a perceber que não muita coisa em particular era fulcral para que uma receita resultasse. 
Claro que as quantidades não são escolhidas à toa e devem ser mais ou menos calculadas, e como é óbvio utilizando adoçante a menos ou fermento a mais o resultado pode não ser o pretendido. Mas também não é complicado ou difícil de todo, como provam muitas receitas que tenho por aqui.
Não sou um génio culinário. Não combino ingredientes sem provar e sabendo de antemão que a combinação será fantástica como grandes chefs nem tenho uma incrível destreza para decoração ou confeção de doces mais elaborados, mas mesmo assim não me lembro da última vez que uma receita inventada por mim tenha corrido mal. Costumo fazer tudo, colocar no forno (se for ao forno, claro), ter uns momentos de dúvida enquanto a coisa em questão coze (hey, também sou humana!) e depois retirar, deixar arrefecer e provar, surpreendendo-me com a maneira como não tendo seguido nenhuma receita aquilo correu tão bem.
Estas madalenas são mais um caso. Lembrei-me de fazer este doce tão conhecido (não sem a ajuda das adoráveis formas que apareceram no catálogo do Lidl nessa semana), vi várias receitas para perceber mais ou menos o processo de confeção... E inventei. 
Como sempre, correu tudo bem. Os bolinhos saíram do forno bonitos e dourados - provas materiais de que produzir ou reinventar receitas não é difícil. Provas essas bastante deliciosas, aviso já...






Madalenas (Saudável, Sem Glúten/Lactose, Sem Açúcar Adicionado, Integral)
Para 12 unidades

Ingredientes:
[  1 ovo 
[  1 clara
[  1 pitada de sal
[  25g de mel
[  50g de farinha de aveia (flocos de aveia triturados, uso a varinha mágica) (sem glúten para um resultado sem glúten)
[  Raspa de 1/2 limão (ou laranja)
[  3 colheres de sopa de azeite

Preparação:
| Bater com uma batedeira elétrica o ovo e a clara com o sal.
| Quando a mistura estiver areada e volumosa, adicionar aos poucos o mel, batendo sempre e durante cerca de 5 minutos no total.
| Acrescentar, peneirando e aos poucos, a farinha de aveia, envolvendo delicadamente a cada adição.
| Juntar a raspa de limão e o azeite, este último uma colher de sopa de cada vez, e incorporar cuidadosamente.
| Dividir pelas formas de uma tabuleiro para madalenas (ou queques, por exemplo) e levar ao forno pré-aquecido a 190º durante aproximadamente 12 minutos.
| Desenformar e deixar arrefecer sobre uma grade.



Eu não pensei que fosse acertar à primeira tentativa, mas não consigo imaginar uma madalena saudável a ser melhor do que isto. A textura é muito fofa com um ligeiro crocante nas bordas, e o sabor típico com um toque agradável do limão. O azeite não poderá ser omitido com um resultado igualmente bom, sobretudo no que toca à consistência, até porque a quantidade e gordura face à receita tradicional é já consideravelmente reduzida, mas em termos de sabor não se nota (não seria muito agradável que soubessem a azeite, claro). São muito simples de fazer e podem até ser guardadas durante algum tempo num recipiente bem fechado ou no congelador - embora seja difícil fazê-las sobreviver até lá! 
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Informação Nutricional (por 1 madalena)
Energia: 41kcal
Proteínas: 1.3g
Hidratos de Carbono:4.6g
-       Dos quais açúcares: 1.8g
Lípidos: 2.0g 
-          Dos quais hidrogenados: 0.0g
-     Dos quais saturados: 0.0g
Fibra: 0g
Sódio: 8mg

     A informação nutricional engloba uma porção (neste caso, corresponde a 15g, 1 madalena ou 1/12 da receita). Está sujeita a erro humano e a alguma imprecisão, mas deverá apresentar valores próximos do valor real. 
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domingo, 29 de novembro de 2015

Bolo de Maçã (Saudável, Sem Açúcar/Gordura Adicionados, Sem Glúten/Lactose, Integral)


A minha relação com a canela é uma coisa engraçada.
Quando era pequena não era a maior fã desta especiaria - a escolher entre adicioná-la ou não a alguma coisa rapidamente optava pela segunda opção, e só mais tarde vim a experimentar combinações mais famosas como maçã ou banana com canela. É óbvio que gostava de trincar e esmagar os paus de canela que vinham com os cafés 'dos adultos', mas quem não o fazia atire a primeira pedra.
Com o tempo comecei a experimentar canela em algumas sobremesas (feitas ou não por mim) e lanches, e à medida que o fiz o sabor como que ganhou a minha estima. Continuei a não ser a maior fã, mas já 'compreendia' de certa forma a sua particularidade (moi a fazer-se de perita em culinária).
Entrando no mundo 'fit' dos blogs e páginas de facebook apercebi-me da estranha obsessão por canela que leva tanta gente a adicioná-la a tudo: de iogurte a papas de aveia, de ovo estrelado a claras cozidas... É uma teoria que reduz tudo à condição de base para canela. Já experimentei a última e, muito sinceramente, não é avelã-approved (a menos que se encaixem na categoria de fanáticos por canela, nesse caso têm a minha bênção).
Com fruta como a banana é um tanto ou quanto consensual, mas não deixa de ser uma coisa bastante intrigante - quem é que vai comer banana com canela quando tem manteiga de amendoim para tomar o lugar da segunda? Até agora não encontrei uma resposta para esta pergunta. Elucidem-me, fãs de canela (#teampb).
Já com maçã compreendo. Com manteiga de amendoim também fica boa, mas não tão incrivelmente fantástica, permitindo à especiaria tomar o seu lugar. E isto é o que irão perceber de forma extremamente lúcida e clara quando cheirarem este bolinho ainda quente. Acreditem.






Bolo de Maçã (Saudável, Sem Açúcar/Gordura Adicionados, Sem Glúten/Lactose, Integral)

Ingredientes:
[  4 ovos
[  400g de puré de maçã (podem fazer em casa cozendo maçã e triturando ou comprar aqueles potinhos para bebés)
[  100ml de leite (pode ser vegetal, para a versão sem lactose)
[  200g de farinha de aveia (flocos de aveia triturados) (isenta de glúten para um bolo sem glúten)
[  1 colher de sopa de fermento
[  Canela (opcional)
[  Noz-moscada (opcional)
[  Maçã aos cubos (a gosto, opcional; usei 2 maçãs. Recomendo, dá um toque doce agradável ao bolo)

Preparação:
| Separar as gemas das claras; colocar as primeiras num recipiente grande e as segundas no recipiente uma batedeira elétrica.
| Adicionar às gemas o puré de maçã e o leite, batendo bem.
| Peneirar para este preparado a aveia, o fermento e as especiarias e misturar.
| À parte, bater as claras em castelo.
| Envolver parte das claras na mistura anterior. Ir adicionando mais e envolvendo até não restarem claras.
| Juntar os cubos de maçã, se desejado, e envolver novamente.
| Colocar numa forma antiaderente e levar ao forno pré-aquecido a 180 graus durante cerca de 30 minutos.



Caso não tenham reparado, eu ando numa de bolos - e, modéstia à parte, cada um é melhor que o outro. Nunca pensei que fosse possível criar coisas tão fofas ou com um sabor tão bom sem adicionar gordura ou açúcar! Este não tem sequer mel, é adoçado apenas pela maçã, e fica com um gosto incrível a tarte do fruto, com um aroma a condizer que inunda a casa toda. 
O bolo também tem a particularidade de ser facilmente desenformado, ficar húmido e leve sem se colar de todo à forma - as fatias ficam bem consistentes sem se desfazerem ou serem (de todo) pesadas. Os bocadinhos de maçã, sendo opcionais, acrescentam uma textura de maçã assada com o seu sabor docinho e reconfortante: recomendo vivamente que coloquem!
Mais uma vez, adoro comer com iogurte (sobretudo o grego ligeiro do Lidl). Elogia muito bem o sabor a maçã e faz um contraste delicioso. Já tenho pequeno-almoço para amanhã, portanto... Invejem-me ;)
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Informação Nutricional (por 1 fatia)
Energia: 125kcal
Proteínas: 5.3g
Hidratos de Carbono: 19.2g
-       Dos quais açúcares: 4.5g
Lípidos: 3.3g 
-          Dos quais hidrogenados: 0.0g
-     Dos quais saturados: 0.8g
Fibra: 3.1g
Sódio: 27mg

     A informação nutricional engloba uma porção (neste caso, corresponde a 90g, 1 fatia ou 1/10 da receita). Está sujeita a erro humano e a alguma imprecisão, mas deverá apresentar valores próximos do valor real. 
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domingo, 22 de novembro de 2015

Bolo de Leite Enqueijado

Aproxima-se a época de Natal. Claro que este julgamento é subjetivo - os supermercados e lojas já a declararam subtilmente dispondo chocolates e objetos natalícios nas montras / caixas registadoras (tão estratégico) desde o fim do Verão, mas acho que agora podemos dizer que estamos realmente perto.
A data perde um bocado a magia por inevitavelmente se repetir todos os anos - e se quando era pequena delirava com o dia em que fazia a árvore ou contava os enfeites nas casas durante as viagens de carro, agora já não se passa o mesmo.
Sendo honesta, o ritual torna-se deprimente de uma forma engraçada. Vai-se buscar a caixa verde, cheia de fita-cola e rasgões, a um armário poeirento e pouco usado (sinónimo de teias de aranha), arrasta-se-a até à sala e retira-se de lá os pedaços da árvore. Coloca-se a base já partida e depois os restantes elementos, separando os ramos com algum receio de tocar numa aranha que possa estar por lá. Partes do ramo já partidas dão um hilariante formato à árvore, que precisa de um jeitinho e mesmo assim acaba por ficar estranha e um bocado de lado.
Seguem-se as decorações: originais sapatos quadrados feitos a partir de pacotes de leite dos jardins de infância, bonequinhos que diminuem de número a cada ano e que são fruto dos delírios imaginativos dos inventores de presentes dos ovos kinder, sininhos e as tradicionais bolas. Todos estes estão já desgastados de tanto Natal, especialmente as bolas, cuja ligação ao lacinho para pendurar na árvore não é excelente, gerando ocasionais e irritantes barulhos de queda de decorações.
Ainda há os fios prateados e azuis que se espalham pela casa, devido à inconsequente aquisição de uma espécie de pêlo decorativo que se espalha como uma praga por todo o lado, mesmo tendo sido deitado ao lixo na sua maioria há meia dúzia de anos.
Não sejam condenadas ao esquecimento as luzes, com segmentos não funcionais, o Pai Natal numa cadeira que, quase já sem pilhas, canta como se estivesse bêbedo e assusta todas as crianças que por cá passam ou a rena de plástico, comprada aos vendedores na cidade e que se mexe e dá música mas já não tem uma perna, gerando um cenário bastante decadente cuja concretização máxima exigiria, de resto, apenas um letreiro de néon a piscar e uma banda de jazz num canto sujo.
Isto tudo poderia ser uma profunda forma de crítica ao consumismo da época, mas é apenas preguiça de comprar objetos novos (e vazios de significado, por isso desprezíveis, claro). Não sou uma daquelas pessoas odeia o Natal, pelo contrário; sou até fã, mas não tanto assim.
Para aumentar o grau de desnaturação natalícia, e apesar de gostar de fazer bolos, nunca fiz nem provei farófias, arroz doce ou sonhos, não gosto de aletria, mexidos ou bolo rei e nem sequer sou fã o tradicional prato de bacalhau e batatas.
Quando vi este bolo no blog Shizuka & Family soube que iria ser um sucesso quando o fizesse. Foi-o duas vezes, quantas o fiz em duas semanas. Vai, já foi decretado, estar presente na mesa de Natal. E, para além do mais, adicionei canela, o que significa que já não sou assim tão má nesta coisa das festividades... Certo?






Bolo de Leite Enqueijado
Adaptado daqui

Ingredientes:
[  1l de leite meio gordo ou gordo
[  1 pau de canela (ou casca de limão ou vagem de baunilha, o que preferirem para dar sabor, podem mesmo omitir)
[  300g de farinha
[  400g de açúcar
[  6 ovos

Preparação:
| Ferver o leite com o pau de canela.
| À parte, misturar a farinha com o açúcar. Adicionar os ovos e misturar novamente até a massa ficar espessa e homogénea.
| Adicionar, em fio, o leite (ainda quente), mexendo bem.
| Colocar a mistura numa forma de silicone ou numa forma de metal untada e polvilhada e levar ao forno pré-aquecido a 180º durante cerca de 1 hora e 30 minutos.



Este bolo é perfeito para quem gostar de sobremesas deste tipo, densas e com um sabor leve (nem a canela nem o limão ou a baunilha são dominantes; é apenas um toque ligeiro que quebra o sabor do leite). Não é muito doce, lembra o género da pastelaria francesa, com aromas suaves e texturas ricas - a tarte de flan, o creme de pasteleiro de baunilha, os já portugueses pastéis de nata, entre outros. Não é propriamente um bolo dito 'normal', fofo e leve, encaixa-se melhor nesta categoria. A minha mãe é uma das pessoas que adoram bolos enqueijados - e, acreditem, por ela o bolo está mais que aprovado!
Fica semelhante, ainda e de certa forma, a uma queijada, cremoso mas consistente. 
É fantástico, fácil de fazer e delicioso de uma maneira bem particular. Em suma, o suficiente para ficar a dever à Shizuka a minha vida. 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Bolo Mármore (Saudável, Sem Açúcar/Gordura Adicionados, Sem Glúten/Lactose, Integral)


Às vezes fico a pensar se realmente gosto de cozinhar ou se gosto da ideia de o fazer.
Sendo honesta, não sei se acho o ato tranquilizante ou agradável de todo. As receitas que faço no dia-a-dia são saudáveis, e não encontro nada de relaxante em grelhar frango ou cozinhar batata-doce. Fora das refeições a coisa melhora, mas nem tanto - fazer panquecas ou scones está associado a triturar meio quilo de aveia com a varinha mágica, sujar loiça e perder tempo.
As estimativas de quanto vou demorar são sempre largamente superadas, e coisas simples que acho que ocuparão 10 minutos acabam por roubar um intervalo de tempo bem maior.
Depois há os desastres associados - nada me irá fazer esquecer o dia em que fiz maionese, por exemplo. Observar a mistura cremosa e branquinha lentamente coalhar e ficar líquida quando já posta no tupperware foi demasiado para o meu pobre coração...
Outra eventualidade terrível e desapontante é a queda de frascos com palitos. Não sei se já vos aconteceu, mas talvez por os meus estarem na ponta de um armário e ter 3 tipos (compridos, finos e largos, cada um deles imprescindível), já passei por esse desastre variadas vezes, todas terríveis na sua individualidade. A minha reação é sempre a mesma - sem paciência e depois de maldizer o mundo inteiro, empilho desajeitadamente os palitos, o que já de si demora séculos, até pela complicada arte de os colocar a todos lá dentro. E lá fica tristemente, até ser substituido, o pacote de palitos, todo mal arranjado e a transbordar.
É este tipo de coisas que me faz perder a fé em palitos.
De vez em quando é preciso fazer um bolo destes para recuperar a fé. Um bolo que precise de um palito para ver se está cozido (dos finos, para não marcar) e de um para desenhar o padrão (dos compridos, para ser mais fácil). E, claro, que seja tremendamente delicioso.








Bolo Mármore (Saudável, Sem Açúcar/Gordura Adicionados, Sem Glúten/Lactose, Integral)
Para 1 bolo 

Ingredientes:
[  6 ovos
[  120g de mel (não fica muito doce, mas é a minha quantidade eleita e fica bom assim; se preferirem bolos com mais açúcar aumentem a quantidade até 200g)
[  300g de puré de abóbora (pesada já cozida e em puré) (cozi abóbora manteiga em água com canela, cravinho e noz-moscada até estar mole quando furada com um garfo, escorri e triturei )
[  300g de iogurte (ou queijo fresco batido/quark, ou de soja, para a versão sem lactose)
[  150ml de leite (pode ser vegetal, para a versão sem lactose)
[  300g de farinha de aveia (flocos de aveia triturados) (sem glúten para a versão sem glúten)
[  1 1/2 colher de sopa de fermento
[  25g de cacau em pó (sem glúten para a versão sem glúten)
[  30ml de água quente

Preparação:
| Separar as gemas das claras; colocar as primeiras num recipiente grande e as segundas no recipiente de uma batedeira elétrica.
| Adicionar às gemas o mel, puré de abóbora, iogurte e leite, batendo a cada adição.
| Peneirar para esta mistura a aveia e o fermento e misturar.
| À parte, bater as claras em castelo.
| Envolver parte das claras no preparado anterior. Ir adicionando mais e envolvendo até não restarem claras.
| Colocar metade da massa num outro recipiente e a essa metade juntar o cacau dissolvido na água quente, misturando bem.
| Colocar a massa, alternando colheradas das diferentes massas de modo a ficar com o padrão pretendido, numa forma antiaderente e levar ao forno pré-aquecido a 180 graus durante cerca de 40 minutos.


O bolo ficou mesmo como deveria ser - fofo, mais húmido na parte do chocolate e com um contraste fabuloso entre o sabor suave da parte 'clara' e o gosto intenso a cacau do restante. Fica assim uma junção equilibrada e viciante, quase como se fosse um bolo simples com porções de mousse a rechear o interior. Além de, claro, ser muito fácil de fazer e bastante saudável!
Este é mais um bolo que combina na perfeição com iogurte grego. Ainda quentinho e servido com iogurte convence qualquer um! 
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Informação Nutricional (por 1 fatia)
Energia: 149kcal
Proteínas: 7.7g
Hidratos de Carbono: 22.9g
-       Dos quais açúcares: 7.9g
Lípidos: 3.4g 
-          Dos quais hidrogenados: 0.0g
-     Dos quais saturados: 0.9g
Fibra: 2.3g
Sódio: 88mg

     A informação nutricional engloba uma porção (neste caso, corresponde a 100g, 1 fatia ou 1/15 da receita). Está sujeita a erro humano e a alguma imprecisão, mas deverá apresentar valores próximos do valor real. 
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domingo, 15 de novembro de 2015

Bolo Mármore

Há uns tempos estava viciada em fazer éclairs. 
Quando os fiz pela primeira vez correu tudo muito bem e sem percalços, recheei-os da maneira mais simples possível (com natas batidas) e ficaram decentemente bonitinhos - o suficiente para que eu, pessoa com uma falta de jeito assumida para tudo o que envolve qualquer tipo de destreza manual (especialmente se também envolver uma boca de pasteleiro), ficasse orgulhosa. Tentando prolongar o orgulho por mais tempo, repeti a receita vezes sem conta, ao ponto de fazer parte do meu 'ritual de sábado'.
O meu 'ritual de sábado' era uma coisa engraçada. Acordava não muito cedo, ia comprar pão fresco e  tomava o pequeno-almoço. Depois o dia tornava-se num turbilhão de coisas relacionadas com éclairs, entre elas fazer a massa, distribui-la por dois tabuleiros, preparar o creme de pasteleiro (porque peritos de verdade não combinam éclairs com natas batidas) e por fim preparar a cobertura e recheá-los... E olhar para o pantanal em que se tornara a cozinha.
O cenário era mesmo desastroso - entre loiça suja, chocolate e farinha nas bancadas, sacos de plástico pegajosos e uma panela difícil de limpar (quem já fez éclairs saberá como é, o requisito da formação de uma película na base não é para fracos) ficava sem mãos a medir. Então limpava tudo e finalmente estava livre, já a meio da tarde, mais ou menos quando saía para correr durante 2 horas. 
Voltava, respirava um bocado e ia tomar banho, para depois ir comer arroz de favas (e éclairs para sobremesa).
A verdade é que tenho tendência para complicar e fazer sobremesas que envolvam bastante trabalho. É mesmo raro fazer um bolo simples, mas estou a trabalhar nisso. Enquanto os completamente simples não se tornam regulares, sempre posso fazer uns com massa pouco complicada e elaborar um bocado a forma. Preferencialmente sem ocupar dias inteiros...







Bolo Mármore
Adaptado daqui
Para 1 bolo médio

Ingredientes:
[  150g de manteiga (sem sal)
[  200g de açúcar
[  5 ovos
[  250ml de leite
[  250g de farinha
[  2 colheres de chá de fermento em pó
[  Raspa de 1/2 limão
[  100g de chocolate em pó
[  50ml de água quente

Preparação:
| Bater com uma batedeira elétrica a manteiga e o açúcar até formar um creme esbranquiçado e fofo (derca de 5 minutos).
| Separar as gemas das claras e adicionar as primeiras à mistura anterior, batendo bem a cada adição.
| Juntar o leite, incorporando apenas um pouco e acrescentando depois o resto, em fio e mexendo sempre (sem bater).
| Bater as claras em castelo.
| Envolver no creme de manteiga porções alternadas (cerca de 1/3 de cada vez) de claras em castelo e de farinha, peneirando esta última juntamente com o fermento e misturando até estar homogéneo após cada uma das adições.
| Transferir metade da massa para um outro recipiente e incorporar neste a raspa de limão.
| Dissolver bem o chocolate em pó na água quente e adicionar ao conteúdo do recipiente original.
| Numa forma untada e enfarinhada, de preferência com buraco no meio, colocar segundo o padrão desejado cada uma das massas.



Eu nunca tinha comido bolo mármore e associava às máquinas taciturnas com bolos secos embrulhados em plástico e rótulos de letras minúsculas, mas é um bolo delicioso. Para além do efeito visual interessante fica muito fofo, com um contraste de sabores e texturas bastante agradável. A parte do chocolate é mais húmida e a branca mais fofa, quebrando a monotonia dos bolos de chocolate, o que, tornando o bolo desenjoativo, justifica completamente uma segunda fatia.
Eu achava aborrecido fazer bolos 'normais' deste tipo, sem coberturas, mas não é - de todo. Ainda resisti antes de me render às evidências, mas mil vezes isto do que uma fatia de bolo com recheio/cobertura/glacé/todos (devidas excepções feitas, nomeadamente ao 'alemão' que um dia aparecerá por cá). 

sábado, 14 de novembro de 2015

Tags - Conhecendo Novos Blogs e Sapatilhas ou Salto Alto?

A Joana do blog 'Edu's Pantry' e a Joana do blog 'Joana Banana' nomearam-me para responder a 'tags' (diferentes, mas agrupo-as). Vão conhecer ambos os blogs, sigo-os há bastante tempo e valem a pena a visita. Vejam também as suas respostas às 'tags', se tiverem curiosidade!

A primeira tem o nome de 'Conhecendo Novos Blogs' e vem do blog, como seria de prever, Edu's Pantry:

1- O que te levou a começares o teu Blog?
Déjà vu... Basicamente, querer partilhar várias receitas recorrentes que achava serem merecedoras disso. Nada de muito profundo, portanto.

2- O que de melhor o Blog trouxe para a tua vida, e porquê?
Gostei do endeusamento, maiúscula e tudo! Não vou dizer que é a coisa mais importante na minha vida, mas gosto de o ter. É muito bom receber comentários de gente que realmente gostou de algumas receitas ou que diz apreciar os posts! E dá outra piada a inventar novas receitas.

3- Como concilias a tua vida pessoal com o Blog? 
O blog não me rouba assim tanto tempo, cozinharia de qualquer das formas e de resto não é assim tão trabalhoso quanto isso, embora ainda o seja. Não deixo que prejudique o meu tempo livre, embora acabe por o ocupar bastante!

4- Onde encontras inspiração?
Não é para mim um conceito muito relevante... Espero que não se note muito! Mas noto que o pão de ló fica especialmente bom se o fizer depois de apreciar 1 ou 2 Picassos.

5- O que te motiva para criares conteúdo do teu Blog?
Vou repetir-me um bocado, mas é tão simples quanto o prazer de alguém gostar daquilo que faço ou mesmo eu achar que, modéstia à parte, até ficou com bom aspecto.

6 - Até que ponto o Blog é apenas um hobby, ou melhor, vês o teu Blog como um segundo trabalho?
Em toda a extensão, não sou obrigada a fazê-lo nem recebo por isso, pelo que é um passatempo - não retirando a importância a esta qualidade!

7- Onde pretendes chegar com o Blog (perspetivas futuras)?
Espero, claro, ter um aumento em alcance e visitantes, ninguém acha piada a estagnar e é gratificante ver alguns números a aumentar, ainda que modestamente.

8- Quais são os teus top 5 de essenciais na cozinha, aquilo que não pode faltar (despensa, frigórico ou congelador)?
Perecíveis, talvez aveia (apercebi-me da dependência quando o Lidl ficou sem), quark, ovos, fruta (desculpem a extensão, sou uma covarde) e sementes.

9- Caso tivesses a oportunidade de ter uma conversa (calma e serena) com alguém que te diz muito nestas andanças da blogosfera, quem seria e porquê?
Não vou responder de forma muito concreta porque, para mim, a comunicação por meio digital é igualmente boa. Há pessoas das quais se conhece um bocado por este meio e acredito que haja relações pessoais a partir daí, no entanto não teria nada de especial a dizer a ninguém em particular. Gosto de muitos blogs, mas não me surge ninguém para esta resposta!

10 - Qual o teu guilty pleasure gastronómico?
Sou fã de muitas coisas, mas como se pode ver pelo blog a maior parte delas nem passa pelo guilty. Sendo este o requisito, talvez manteiga de amendoim e todas as receitas não saudáveis que tenho no blog, mas tendo a variar...

E a segunda é mais curtinha, 'Sapatilhas ou Salto Alto?', e vem da 'Joana Banana':

Qual o teu par de sapatilhas//ténis preferidas?
Não ligo muito a marcas, mas ultimamente tenho usado umas New Balance bastante confortavéis.

Trocariam um salto alto por uma sapatilha?
Sim. Especialmente se envolvesse uma corrida!

Algum tipo / marca de sapatilhas predileta?
Nem por isso, mas como já disse antes gosto das que tenho agora da New Balance. Quaisquer sapatilhas que não magoem estão boas para mim :)

E a escolha vai recair sobre as mesmas pessoas para ambas, desculpem lá! O objetivo é responderem a estas mesmas questões. Mas não fico ofendida se o fizerem a só a uma ou a nenhuma. ;)

Então nomeio:

- Shizuka 
- A Comida da Vizinha
- Cozinha sem Segredos

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Papas de Aveia de Abóbora (Saudável, Sem Açúcar/Gordura Adicionados, Sem Glúten/Lactose)


A minha avó já mencionou várias vezes que, quando era mais nova, a mãe lhe dizia que viviam num pedacinho de céu. 
Fora de contexto isto é ambíguo - poderia estar a referir-se à condição de uma família ou do mundo inteiro. Na realidade referia-se ao país.
Isto não deixa de ser verdade. Situações específicas à parte, somos relativamente livres de furacões, pestes, baratas (importante), terramotos (desculpa-me, 1755, mas pertences à minoria) e acidentes em centrais nucleares (nada relacionado com não termos centrais nucleares) (imaginem que país tinha em mente a escrever dois últimos tópicos). Ainda temos localidades pequenas e familiares onde as pessoas se cumprimentam sempre, lojinhas locais que vendem a 'pasta dentífrica Couto' e gente que religiosamente a compra em detrimento da de outras marcas - mas ao mesmo tempo temos supermercados grandes e variados com produtos que se encontram no estrangeiro, mesmo não tendo todos.
Acho que é seguro dizer que não estamos mal. Dentro dos que existem num planeta que miraculosamente apresenta todas as caraterísticas necessárias e propulsionadoras da existência da vida e seu desenvolvimento para uma forma inteligente, o nosso país é decente. Mas falta-lhe o fanatismo por abóboras.
Sim, há mais abóboras nos supermercados (e campos) nesta altura do ano. Sim, o facebook/instagram/restantes redes sociais andam a ser inundados por fotografias de pães, bolos, omeletes, estufados e panquecas de abóbora. Mas não há muita gente capaz de arrancar cabelos, matar ou atirar-se de um penhasco para poder comer uma lata de puré de abóbora à colher.
E, no final do dia, o verdadeiro fanatismo por abóboras resume-se a isso. 
Enquanto bons cidadãos, cabe-nos a nós trazer a caraterística para Portugal. Cabe-nos a nós comprar e cozer abóbora e usá-la no máximo possível de receitas doces ou salgadas, tradicionais ou inventadas, saudáveis ou não, como se a nossa vida dependesse disso. Por agora tenta-se preencher e ofuscar o vazio proveniente desta falta inegável com artifícios vários - mas eu sou uma boa cidadã.
Por isso aqui está, depois do bolo de abóbora e de já ter incansavelmente feito com ela panquecas, bolinhos no microondas, queques e molhos, uma receita de papas de aveia com abóbora - capaz de conquistar uma nação (com maioria!)...

Com um 'molho' de whey por cima :) 




Papas de Aveia de Abóbora (Saudável, Sem Açúcar/Gordura Adicionados, Sem Glúten/Lactose)
Adaptado daqui
Para 1 dose

Ingredientes:
[  100ml de água
[  20g de aveia (sem glúten para a versão sem glúten)
[  Especiarias a gosto (usei canela, noz-moscada, cravinho e gengibre)
[  50ml de leite (pode ser vegetal)
[  60g de puré de abóbora manteiga (cozi em água com especiarias e triturei)
[  2 claras de ovo (60ml)
[  1 colher de café de goma xantana (opcional mas recomendado)
[  Mel ou adoçante a gosto (opcional)

Preparação:
| Numa malga, aquecer a água no microondas durante 1 minuto. Retirar e acrescentar a aveia e as especiarias.
| Deixar a aveia com água repousar durante pelo menos 10 minutos (podem deixar de um dia para o outro).
| Colocar a mistura num tacho (não muito pequeno) juntamente com o leite e levar a lume médio, mexendo ocasionalmente. Quando engrossar e a aveia estiver quase cozida adicionar o puré de abóbora e mexer bem. Retirar do lume.
| Bater as claras com a goma xantana até ficarem espessas e cremosas (1 ou 2 minutos). Adicionar o mel ou adoçante, caso se deseje utilizar, e misturar.
| Adicionar as claras ao tacho e misturar bem. Levar a lume baixo durante uns minutos até as papas estarem com a textura desejada.




Se têm por alguma razão a quantidade de aveia a ingerir limitada esta é a receita para vocês. O resultado é muito fofo e volumoso, mas sem levar a que pareça tratar-se de papa de claras com um bocado de farinha. Também não sabe a vegetal - simplesmente, a textura fica (graças à abóbora) muito agradável e cremosa, com um tom subtil de bolo deste sabor (altamente potenciado pelas especiarias, ainda por cima!). É um pós-treino ou pequeno-almoço nutricionalmente interessante, talvez complementado, sobretudo por não consistir quase só em hidratos de carbono como as habituais papas de aveia. As claras também melhoram imenso a consistência, não me lembro de fazer aveia sem elas! E, claro, há o fator psicológico associado a comer um vegetal pela manhã, logo uma outra energia. Se não gostam do sabor da aveia simples (seus hereges) é uma opção deliciosa! Se gostam também. Para variar. É igualmente delicioso, diga-se.
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Informação Nutricional (por 1 malga)
Energia: 136kcal
Proteínas: 11.4g
Hidratos de Carbono: 16.9g
-       Dos quais açúcares: 1.2g
Lípidos: 2.3g 
-          Dos quais hidrogenados: 0.0g
-     Dos quais saturados: 0.0g
Fibra: 3.0g
Sódio: 72mg

     A informação nutricional engloba uma porção (neste caso, corresponde a 200g, 1 malga generosa ou a totalidade da receita). Está sujeita a erro humano e a alguma imprecisão, mas deverá apresentar valores próximos do valor real. 
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