domingo, 4 de dezembro de 2016

Monkey Bread

A minha falta de jeito para massas lêvedas no passado já foi assunto aqui no blog, mas se não me engano apenas mencionei os meus fracassos com pão. Seria uma grande falha da minha parte não explorar uma outra categoria de desastres lêvedos: os meus fracassos com bolo rainha até à data em que fiz a maravilhosa receita que publiquei aqui.
Começando pelo início, nem eu nem a maior parte das pessoas na minha família mais próxima somos fãs de bolo rei, sendo até frequente o uso de expressões bastante lesivas para descrever o quão mau é o próprio, com os seus frutos cristalizados demasiado moles e pegajosos (desculpem-me, é mais forte do que eu). O mesmo não se passa com o bolo rainha, que é sempre muito apreciado por ter o ótimo upgrade de substituir com frutos secos os frutos cristalizados, daí ser este uma escolha óbvia para preparar para o dia de Natal. Ou para qualquer outro, visto que o fiz várias vezes. 
Na verdade o bolo rainha nunca me saiu especialmente mal, mas olhando para trás tenho a certeza de que havia alguma coisa que estava ali a falhar. Costumava deixar a massa com um exagero de frutos secos (já se sabe que é assim que fica boa) a levedar num recipiente durante umas horas, num local resguardado porque os frutos secos estão caros e os ladrões hoje em dia não andam para brincadeiras, durante as quais a massa não crescia nada. Depois formava a 'rosca' e colocava a levedar novamente durante uma hora, durante a qual... também não crescia nada. E depois começava a achar que ia ficar horrível, embora já me tivesse acontecido isto várias vezes, colocava no forno e passados 10 minutos via como tinha crescido e ficado dourado - e ficava em êxtase, como se não soubesse que tal coisa ia acontecer, embora isto se passasse todas as santas vezes. Havia ainda uns passos adicionais que ocorreram em metade das vezes devido à minha inexperiência na altura no controlo da cozedura de bolos que invalidavam o teste do palito: retirar o bolo do forno, cortar uma fatia, reparar que estava cru e colocá-lo novamente no forno. Como podem imaginar, isto resultava numa espécie de bolo-tosta cujas fatias viriam a servir para fazer sons ocos contra a mesa e gozar com a minha cara
Mesmo sendo agradável quando bem cozido, este bolo rainha nunca foi particularmente fofinho ou maravilhoso, pelo que tenho até dificuldade em perceber porque é que o fiz tantas vezes. De qualquer modo, são águas passadas, já que como disse finalmente encontrei a receita ideal e nunca mais fiz a anterior. Demorou, mas para compensar deixo aqui este Monkey Bread: um bolo lêvedo que saiu bem à primeira :)





Monkey Bread
Adaptado daqui

Ingredientes:
[  60ml de água
[  7g de fermento de padeiro seco
[  400g de farinha (branca, sem fermento)
[  1 pitada de sal
[  1/2 colher de chá de extrato de baunilha
[  3 colheres de sopa + 300g de açúcar
[  1 ovo 
[  2 colheres de sopa +  100g de manteiga
[  180ml de leite
[  1 colher de sopa de canela

Preparação:
| Aquecer a água no microondas. Devem conseguir aguentar o dedo na água durante 10 segundos (sem que seja doloroso, claro), mas senti-la bastante quente.
| No recipiente de uma batedeira elétrica, colocar o fermento e a água e deixar repousar durante 2 minutos. Devem aparecer umas bolhinhas e alguma espuma.
| A esta mistura, adicionar 100g de farinha, o sal, o extrato de baunilha, as 3 colheres de sopa de açúcar, o ovo, as 2 colheres de sopa de manteiga derretida e o leite aquecido (tanto como a água no 1º passo). Bater até que a mistura fique homogénea e cremosa.
| Aos poucos, adicionar a restante farinha (300g) e misturar bem. Transferir a massa para uma superfície enfarinhada e trabalhá-la durante cerca de 5 minutos. Se estiver demasiado pegajosa, acrescentar farinha. No final deve descolar das mãos e estar maleável/elástica. 
| Com a massa, formar uma bola e colocá-la num recipiente limpo. Cobrir o recipiente com papel aderente e deixar levedar num local quente (coloquei no forno pré-aquecido a 50 graus e desligado) durante cerca de 30 minutos.
| Untar uma forma com óleo vegetal.
| Colocar numa malga o restante açúcar (300g) e a canela e noutra a restante manteiga (100g) derretida.
| À mão, estender a massa numa superfície enfarinhada até que fique com cerca de 1.5cm de espessura. Com uma faca afiada, cortar a massa em cubos de tamanho médio. Rolar os cubinhos na mão para formar bolas e, com a ajuda de um garfo, passá-las pela manteiga e depois pelo açúcar, colocando-as por fim na forma. Repetir o procedimento, amontoado as porções esféricas de massa sem pressionar, até não sobrar massa.
| Cobrir a forma levemente com papel vegetal e deixar levedar num local quente (coloquei outra vez no forno pré-aquecido a 50 graus e desligado) durante 1 hora.
| Levar ao forno pré-aquecido a 180ºC durante cerca de 30 minutos. Deixar arrefecer durante alguns minutos e desenformar; é especialmente bom servido quente.



Eu honestamente acho este bolo adorável: é original na forma (a sério, é giro desfazer os pedacinhos; para além do mais, se já em cinnamon rolls/pães/bolinhos as melhores partes são as laterais que separavam cada unidade das outras no forno, esse efeito é aqui multiplicado por mil :D) e muito bom em sabor. A camada açucarada de canela dá-lhe uma textura 'gooey' a lembrar caramelo, o que combina lindamente com a fofura das mini esferas menos doces. Até acho que vou fazer para este Natal, porque realmente é uma receita bem natalícia (ou não levedasse e tivesse canela)! 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Produtos #16 - Manteiga de Amendoim

Imagino que já saibam que eu sou pessoa de desenvolver adorações por determinados alimentos. Algumas são sazonais e ditadas pela natureza, como a paixão por dióspiros e a paixão por castanhas, mas outras ficam sempre: é o caso da paixão por aveia (particularmente a com sabor a bolacha maria, desde que a descobri), por crepiocas com queijo fresco ou por... Manteiga de amendoim.

Quando a provamos sabemos que aquele é o primeiro dia do resto das nossas vidas...
Onde Comprar e Preço

Acho que ouvi falar pela primeira vez em manteiga de amendoim em criança, num episódio de 'Zack & Cody' (a versão normal, não a finória com barcos). Só a provei algum tempo depois, já que os portugueses e a manteiga de amendoim não são grandes amigos (-> motivo de todos os problemas da nossa nação). Felizmente agora já se encontra em várias lojas e supermercados.

Penso que a da Skippy, aquela que se encontra mais facilmente, foi a primeira que experimentei (e adorei); esta custa 3,99€. Experimentei outras do mesmo género, mas não a ingeria regularmente pois estas versões não são propriamente saudáveis (têm sal, açúcar, gorduras hidrogenadas...).

Claro que mais tarde me deparei com a manteiga de amendoim do Celeiro (esta), que na altura era a única 100% amendoim que se vendia em lojas físicas. Inicialmente, como acho que é normal, estranhei: estava habituada à tradicional manteiga de amendoim densa e cremosa, doce e salgada ao mesmo tempo, mesmo ao estilo americano. Depois passei a gostar bastante, mas o preço continuava a ser exagerado. Não estou certa de que a que eu comprava ainda esteja à venda, mas haverá de certeza no Celeiro manteiga de amendoim deste género (isto é, 100% amendoim e a custar os olhos da cara). Penso que também já vi uma deste género no Jumbo (que, para além desta, vende a da Prozis).

Há outras marcas de mateiga de amendoim nalguns supermercados - entre outras, há a sem glúten lançada recentemente pela Calvé, a do Intermarché, que tem um perfil razoável (é 95% amendoim), a do Lidl (costumava haver lá uma ótima, sem gordura hidrogenada, mas depois mudou para pior)... Enfim, acho que percebem a ideia. Não sei os preços de todas, por isso não vou colocar aqui, mas não se afastarão muito dos 4€ por por volta de 300g. Nenhuma desta é perfeita em termos nutricionais, que eu saiba têm todas aditivos.

Para mim, a melhor alternativa de todas é comprar online (ou fazê-la em casa, triturando amendoins torrados até que fiquem em manteiga, mas penso que pelo preço a que compram manteiga de amendoim natural o trabalho não compensa): a manteiga que aparece nas fotos deste post, por exemplo, é da EU Nutrition. É 100% amendoim e custa 5,99€ por 1kg, o que é um ótimo preço - e já sabem que sobre este preço podem ainda obter 10% de desconto usando o meu código, EUAVELA10, já que tenho uma parceria com uma marca. Claro que não podia deixar de aproveitar esta parceria para experimentar a manteiga de amendoim. Ainda bem que decidi fazê-lo, porque...

Melhor. Textura. De sempre.
Quando há uns tempos descobri que havia lojas online que vendiam potes de 1kg de manteiga de amendoim natural por cerca de 6€ senti-me como se tivesse descoberto a pólvora: o preço nem sequer era comparável ao da manteiga de amendoim do Celeiro e os ingredientes eram igualmente perfeitos. Claro que passei a fazer encomendas regulares e a manteiga de amendoim passou a estar muito presente na minha alimentação. A da EU Nutrition só experimentei recentemente, mas cai nesta categoria: encomenda-se online, é baratinha e é saudável.

Gostei muito do sabor e textura da manteiga de amendoim da marca. Sabe a amendoins torrados (não encontrei este toque torrado em nenhuma outra manteiga e adoro) e tem uma textura consistente (não sei se conhecem a manteiga de amendoim da Prozis, por exemplo, mas é bem mais líquida que esta - esta é mais densa e cremosa). 

Admito que costumo preferir manteigas mais líquidas para tirar fotos (porque dá para fazer uns 'drizzles' bonitinhos), mas esta textura mais cremosa funciona muito bem em determinadas coisas! Para barrar no pão ou em tostas, para rechear bolos ou panquecas e para colocar em papas de aveia, por exemplo, é o ideal. E esta textura torna-a ainda mais viciante! Admito que fiquei com vontade de provar a versão crocante, que costuma ser uma perdição :)

Com uma camada de óleo brilhante
Como o óleo de coco, também a manteiga de amendoim gosta de assustar quem não a conheça. É comum encontrá-la com uma camada de óleo por cima, coisa que muita gente estranha; no entanto, a separação é perfeitamente normal, basta misturá-la com uma colher quando a abrimos para que fique 'normal'.

A manteiga de amendoim, em pleno processo de se tornar normal
Propriedades e Benefícios

Começo por dizer que o amendoim está para os frutos secos como o tomate e o abacate estão para os vegetais: o contrário do que muita gente pensa, este é uma leguminosa e não um fruto seco. Isto tem algumas consequências a nível nutritional - há algumas vertentes alimentares que excluem o amendoim da alimentação por considerarem que não é benéfico para a saúde. Sendo este um tema controverso, não me vou alongar nele - podem pesquisar mais sobre o assunto se quiserem, encontram imensa informação.

De qualquer modo, a manteiga de amendoim é considerada pela maior parte das pessoas um alimento saudável: é rica em gorduras 'boas', contribui para o aumento do colesterol 'bom' e para a diminuição do colesterol 'mau', tem antioxidantes e vitaminas, vários nutrientes,... Pessoalmente, gosto de a incluir como fonte de gordura em algumas refeições, até porque é muito prática.

E deliciosa - prática e deliciosa ;)
Usos

Como imagino que saibam, a manteiga de amendoim é incrivelmente versátil: fica boa em molhos, barrada em tostas e pão, com fruta, em iogurte, como topping de sobremesas ou papas... É uma questão de originalidade. Se nunca experimentaram, sugiro que comecem por duas combinações populares:

A primeira é, claro, manteiga de amendoim com banana
Adoro esta dupla - os sabores combinam na perfeição, principalmente quando a banana é aquecida/amolecida. E qual a melhor maneira de aquecer/amolecer banana, perguntam vocês?

Colocá-la em cima de uma taça de papas e aveia bem quentes, é claro :D
Há quem goste de adicionar também canela, mas eu prefiro a versão sem. A mistura também fica muito boa conjugada com alfarroba ou chocolate, nem que seja pelo contraste de cores! Costumo colocá-la no pão de alfarroba da miolo e fica uma delícia. Usei também banana com manteiga de amendoim como topping de uns queques de chocolate saudáveis há uns tempos e o resultado ficou maravilhoso.

Os tais. Não se preocupem, depois publico a receita e vocês podem experimentar estas pequenas maravilhas por vocês ;)
E ainda, a decadente, a tornada-popular-pelos-americanos-que-têm-tendência-para-gostar-de-sabores-extremos:

Manteiga de amendoim com doce (também fica ótima com geleia)
Esta é outra dupla que aprecio. Talvez seja enjoativa se a comerem frequentemente, mas eu apenas a faço uma vez por outra e acho-a muito agradável, especialmente não exagerando na quantidade de doce.

Claro que as utilizações da manteiga de amendoim não se ficam de todo por aqui - qualquer coisa que seja comestível tem potencial para ficar boa com este topping tão fantástico. ;)

Espero que tenham gostado do post ou que, mais importante ainda, gostem de manteiga de amendoim - se dizem que não andam a enganar-se a vocês próprios e a perder uma coisa maravilhosa pelo caminho. Confiem em mim quando digo que precisam disto nas vossas vidas. ;)


Antes de terminar, quero ainda lembrar-vos de que o desafio 'Na mesa de Natal não pode faltar' continua a proporcionar a partilha de receitas natalícias por algumas bloggers - aproveitem para reunir as receitas que querem fazer este ano. A participação de hoje é do blog As Receitas da Mãe Galinha, e é uma deliciosa tarte de amêndoa que podem ver aqui :D

*A tarte*
Podem ver tudo sobre o desafio neste post do blog 'A Casinha das Bolachas', blog da Ana, que teve a ideia de fazer esta rubrica interblogs.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Passatempo + Uma Espécie de Desafio de Natal


Era só para vos avisar que lancei esta semana um passatempo, sendo o prémio o livro de receitas saudáveis do Jamie Oliver :)

Podem consultar o 'regulamento' aqui; se não tiverem conta no facebook ou instagram, deixem nesta publicação um comentário com o vosso nome de seguidores do blog (ou simplesmente a dizer que estão a participar, caso estejam com o log in feito na vossa conta). Se tiverem conta nas duas redes sociais não deixem de participar com ambas nesta publicação no facebook (ou, se não tiverem conta neste mas tiverem  no IG, participar neste último aqui), terão mais hipóteses de ganhar!

Aproveito ainda para dizer que estou a participar juntamente com outras bloggers numa espécie de desafio de Natal; assim sendo, serão vários os blogs e páginas a partilhar a sua sugestão natalícia associada a este desafio, incluindo, claro, eu (que participarei com um arroz doce saudável mesmo bom - esperem para ver). A iniciativa é da Ana do blog A Casinha das Bolachas - visitem :D




Esta é a participação de ontem e também a sugestão da anfitriã: uns sonhos bem caseirinhos que fiquei cheia de vontade de fazer :)


Hoje a receita é um molotof de caramelo cheio de bom aspeto feito pela Sílvia, da página de facebook As Minhas Perdições.

Dêem uma visa de olhos pelas receitas e inspirem-se para a mesa de Natal! Haverá mais ;)

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Produtos #15 - Polvilho Doce e Azedo

O polvilho é um daqueles ingredientes sobre os quais me perguntam frequentemente. Onde se compra, quanto custa, o que é exatamente, como se pode substituir (quando as questões anteriores não obtêm resposta satisfatória :P)... Decidi então esclarecer todas as dúvidas e fazer um post cheio de fotos de crepiocas pelo caminho (a sério, preparem-se para um exagero delas). 

*O aspeto*
O que é, Ingredientes e Informação Nutricional

Respondo simultaneamente aos dois primeiros pontos: o polvilho é constituído por fécula de mandioca. A diferença entre as duas versões (doce e azeda) reside na acidez: o polvilho azedo passa por uma fase de fermentação pela qual o segundo não passa, o que lhe confere um sabor mais 'azedo'.

Versão doce
Versão azeda
Na verdade costumo recomendar que não liguem muito aos rótulos: nem o polvilho doce é doce nem o polvilho azedo é propriamente azedo. Se preferirem podem usar o primeiro para fazer sobremesas e o segundo para fazer salgados, mas eu uso-os indiferenciadamente e substituo um pelo outro quando me apetece sem problemas. Qualquer diferença no resultado será ligeira.

Ambos lembram farinha ou amido, sendo isentos de glúten. A informação nutricional ronda as 350kcal e 85g de hidratos por 100g, sendo todos os outros macronutrientes desprezáveis, como seria de esperar. 

Onde Comprar e Preço

Ambos os polvilhos se encontram em praticamente qualquer supermercado. A marca mais popular e a que costumo escolher é a que mostro acima, a Globo, mas há outras. Esta ronda sempre os 2 euros por pacote (500g).

Substituições

Visto que são feitos a partir desta, seria uma boa opção substituir qualquer um dos polvilhos por fécula de mandica, mas duvido que encontrem esta se não encontram os primeiros. Em alternativa, o amido de milho e a fécula de batata resultam bem, já que tem caraterísticas semelhantes às do polvilho. O último recurso é usar uma farinha qualquer em substituição do polvilho, o que funciona mas pode resultar num bolo (ou outra coisa, mas não vale a pena fingir que não estamos a pensar em bolos :P) bastante diferente.

Em que Usar e Resultados

A receita mais popular com polvilho é o pão de queijo, sendo que este toma um papel bastante importante na consistência dos pãezinhos, já que contribui para a textura crocante por fora mas fofa/elástica no meio. Assim, utilizado noutras receitas pode ajudar a tornar a massa mais leve e elástica, como o amido de milho, mas no geral não é boa ideia substituir por completo a farinha de um bolo por polvilho, porque pode ficar tipo borracha (been there) e todos sabemos que isso faz mal aos dentes. Como fiz no bolo de iogurte e nos cinnamon rolls saudáveis, quando o uso em bolos combino-o com outras farinhas (mais precisamente farinha de aveia, porque como já sabem eu e a farinha de aveia temos uma relação muito forte).

Outro uso frequente é a crepioca - e poderão conhecer as famosas crepiocas, se não por outra coisa, porque eu...

...passo...

...a vida...

...a fazê-las.
E todos sabemos o quanto vocês adoram seguir-me nas redes sociais e ver fotos de crepiocas a aparecer por lá com uma frequência exagerada. ;)

O que é que querem? São os crepes saudáveis com que sempre sonhamos (os sininhos aqui de cima são de queijo creme e salmão fumado)
E os cannelloni saudáveis com que sempre sonhamos (receita)
E as pizzas saudáveis com que sempre sonhamos! (versão com pimentos, versão com queijo)

E a lasanha saudável com que sempre sonhamos. (versão com carne, versão com espinafres e ricotta)
Sim, eu passei por uma fase de fazer todas as santas receitas com crepioca. O que é que se pode dizer, são a perfeição em forma de crepes ou cannelloni ou pizza ou lasanha.

À beira do molho de couve-flor, antes de serem ambos usados para fazer a lasanha que mostrei na foto anterior.
Por acaso depois de fazer os crepes não saudáveis todos manteigosos que já publiquei aqui apareceram na minha cozinha várias tentativas de crepes saudáveis neles inspiradas que, dito de forma simpática, não tiveram grande sucesso, pelo que fiquei a pensar que seria impossível fazer uns crepes saudáveis decentes. Depois chegaram as crepiocas, e na verdade são melhores do que podia esperar: muito fininhas, com um sabor mesmo agradável e a textura semielástica caraterística dos crepes.

Já fiz duas receitas de crepioca que são um bocadinho diferentes. No título de uma menciono que é feita com polvilho doce e na outra com polvilho azedo, mas como já disse não acho que isso faça grande diferença: faço uma e outra receita com qualquer variedade de polvilho. A maior diferença é que uma (esta) utiliza claras e um pouco de iogurte, o que resulta numa textura mais maleável, enquanto a outra (esta) utiliza apenas ovo, polvilho e leite, o que faz com que fique mais fofa. Adoro ambas, e no geral o fator mais importante na decisão entre uma e outra é se tenho claras para gastar ou não :P

Depois de demasiado babbling: crepiocas com queijo por derreter a serem tostadas numa frigideira
Para me certificar de que compensei realmente o babbling: crepiocas com queijo a derreter depois de serem tostadas numa frigideira
A verdade é que cada vez mais pessoas se têm rendido às crepiocas, tanto leitores (quero dizer com isto pessoas que me disseram através do blog ou assim que experimentaram a receita, mas não arranjei palavra menos snob) como pessoas a quem dou a provar - em particular o meu irmão, que é um esquisitinho de primeira com a comida no geral mas não se importa nadinha de comer um prato inteiro destes crepes.

Ok, admito ter usado nutella como isco para ele provar.
Mas depois de convencido já não é exigente ao ponto de precisar de Nutella para os comer, agora basta-lhe enrolar 5 e comê-los todos de uma vez para ser feliz.

Se ficaram com vontade de comer crepes com nutella, podem optar por crepes com chocolate negro, uma versão mais saudável e deliciosa :)
Versão para quem não gosta de posts longos:
1 - vão ao supermercado;
2 - procurem polvilho (se não encontrarem perguntem aos funcionários, a menos que tenham ido ao Lidl porque o Lidl é mestre na arte de não ter produtos que existem em todo o lado. Pensando bem, devia ter mencionado isto logo no ponto 1, mas uma ida ao Lidl nunca é um desperdício porque podem comprar quark e quark é delicioso);
3 - comprem-no e façam crepiocas. Imensas crepiocas.

E pronto, acho que é isto. Porque é que desperdiçaram o vosso tempo a ler o post quando a versão curta é tão mais simples e elucidativa, perguntam vocês? Porque na verdade queriam ver um monte de fotos de crepiocas e bem lá no fundo sabiam disso. Ou então adoram-me, é capaz de ser isso - nunca saberemos. ;)

Pelo sim pelo não, aqui está uma foto de uma crepioca com queijo, porque, como diz a minha avó, não é possível ter queijo a mais numa publicação do blog. Ok, talvez esta última parte não seja bem assim.
Até à próxima (não adianta dizer que não, vocês sabem que estarão aqui para a próxima) ;)

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Lasanha de Ricotta e Espinafres (Saudável, Vegetariano, Sem Glúten)


Lembro-me de perguntar em pequena a uma funcionária da minha escola primária como eram os espinafres. Eu sei que é estranho, mas só conhecia o nome devido ao Popeye e, apesar de provavelmente o ter comido já em sopa sem saber (avós, não é? A minha adora incluir na sopa legumes de que não gosto e esfregar-me na cara que a sopa os tinha depois de eu a comer. Isto já aconteceu com nabos mais vezes do que me orgulho) nunca os tinha comido espinafres de forma simples.
Fiquei admirada por serem 'folhas': pensei até que seriam mais parecidos a brócolos, só para verem a minha falta de noção. Depois disto ainda passaram uns anos até eu comer espinafres crus pela primeira vez; vi um daqueles pacotes de salada lavada, e como na altura ainda não tinha assustadoramente encontrado um grilo num desses pacotes (#truestory) decidi trazer para experimentar.
A primeira coisa que pensei foi que sabiam a nozes - o que era bom, porque nozes custam os olhos da cara e espinafres em princípio não (mas já se viu o que aconteceu às sardinhas, não podemos confiar nestas coisas). Passei a comprar a versão não embalada, e por muito estranho que pareça gostava de ir ao frigorífico e tirar uma mãozinha de espinafres para comer (também os comia no pão. Por favor não me achem estranha :P). 
Como estas coisas frescas se estragam depressa e eu estava viciada em espinafres decidi experimentar congelá-los. Para que ficassem em folhinhas na mesma preparei um tabuleiro com camadas e camadas de papel vegetal, mas como é óbvio não ficaram decentes para comer em salada.
Sem grande sucesso, mais tarde pensei que tinha descoberto a pólvora quando comprei um pacote de espinafres congelados (já prontinhos, lavados e deliciosos?!), mas não achei que tivessem grande sabor (e desfaziam-se bastante). Para compensar, vinham em cubinhos adoráveis - e todos sabemos o quanto isso é importante na hora de escolher os nossos vegetais.
Utilizando-os no ocasional salteado, não lhes atribui grande presença na minha cozinha nem os inclui em muitas experiências  pelo menos até me lembrar de fazer uma lasanha saudável de ricotta e espinafres, depois do sucesso da lasanha à bolonhesa saudável.
Na altura rezei para ainda ter um saquinho de espinafres no congelador, e as minhas esperanças realizaram-se como é óbvio visto que estão a ler este post. Fiz então esta lasanha que, segundo conta quem a experimentou, superou até a versão anterior. Experimentem e julguem por vocês ;)





Lasanha de Ricotta e Espinafres (Saudável, Vegetariano, Sem Glúten)
Para um tabuleiro pequeno de lasanha (cerca de 3 doses)

Ingredientes:

Para os crepes (que servirão de placas de lasanha):
[  2 ovos
[  100ml de claras
[  5 colheres de sopa de polvilho doce (cerca de 50g)
[  3 colheres de sopa de leite

Para o recheio e cobertura:
[  Azeite (a gosto)
[  2 dentes de alho
[  100g de espinafres cozidos em água com sal e bem escorridos
[  250g de queijo cottage
[  1 bola de queijo mozzarella (com por volta de 100g)

Preparação:
Para os crepes:
| Bater todos os ingredientes (ovos, claras, polvilho doce e leite) com a varinha mágica (ou numa liquidificadora/à mão).
| Aquecer uma frigideira pequena no fogão e fazer crepes não muito finos. Deverão ser por volta de 7 no total.

Para o recheio e cobertura:
| Picar os dentes de alho e colocá-los numa frigideira juntamente com um fio de azeite, levando-a a fogo médio até que o alho comece a ficar dourado.
| Juntar os espinafres previamente cozidos e escorridos e deixar saltear um pouco.
| Ralar (ou partir aos pedaços) o queijo mozzarella. Reservar metade e colocar o restante num recipiente médio. Juntar a este recipiente o queijo cottage e os espinafres, misturando bem.
| Colocar um crepe no fundo de uma forma pequena e redonda. Cobrir o crepe com uma pequena porção do recheio de queijo e espinafres (cerca de 1/6 da mistura). Repetir o procedimento até que não restem crepes nem recheio, tendo em consideração que a camada superior deve ser um crepe (e não recheio).
| Cobrir a lasanha com o queijo mozzarella reservado e levá-la ao forno pré-aquecido a 200 graus durante cerca de 30 minutos, ou até que o queijo derreta e toste ligeiramente (de o vosso forno tiver a opção 'tostar' podem usá-la nos últimos 5 minutos).



No mundo das minhas ideias esta combinação de sabores já iria obviamente ser um sucesso, e não sei como a realidade superou essa expectativa. Já tinha feito uma lasanha com ricotta que ficou mesmo mázinha, mas esta estava brilhante! O único defeito (vem aí cliché) foi o de a dose ser tão pequena - não fiz muito, para não arriscar, quando apenas acrescentaria brilho à semana comer esta belezinha ao almoço todos os dias. Considero-a a a melhor lasanha que já comi, e só de olhar para as fotos apetece-me fazâ-la (mais importante, comê-la!) novamente. O queijo ricotta fica super cremoso, os espinafres dão um sabor mesmo agradável (aliás, quando envolvi os espinafres com alho no queijo considerei parar o procedimento e comer a mistura com tostinhas :P) e as 'placas' aldrabadas nunca me desiludem. :D Experimenteeeem!
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Informação Nutricional (por 1 dose)
Energia:279kcal
Proteínas: 26.9g
Hidratos de Carbono: 20.7g 
-       Dos quais açúcares: 1.8g
Lípidos: 9.7g 
-          Dos quais hidrogenados: 0.0g
-     Dos quais saturados: 4.3g
Fibra:  1.0g
Sódio: 116mg

     A informação nutricional engloba uma porção (neste caso, corresponde a cerca de 200g, 1 dose ou 1/3 da receita). Os valores estão sujeitos a erro humano e a alguma imprecisão, mas deverão estar próximos do valor real. 
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